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Quando escrevi o
Nebihísmo e os Mashiáh[1] tinha já
planeado ligar o movimento messiânico de Bandarra ao movimento Sabbataísta
levantando, desta forma, o enigma messiânico na história Judaico-Cristã e que
se desenvolve pelos séculos XVI e XVII. Este fenómeno, que se expande por dois
séculos sem qualquer tipo de interrupção, tem como base a cultura judaica e a
sua explosão no sentido do messias místico mostra bem o estado do
descontentamento Judaico e Cristão da época exibindo, por isso, o modo
como judeus e católicos se juntaram unidos na
mesma esperança à volta do vidente Bandarra, que anunciava D. Sebastião como
Messias, tal como judeus e cristãos ombro a ombro depositaram a sua fé no
auto-proclamado messias místico Sabbataï Tzevi na grande esperança da
unificação Judaico-Cristã.
Observaremos que
dentro da cultura judaica é a Cabbala a viga mestra destes dois movimentos tal
como a grande impulsionadora, Cabbala essa que permitiu uma fantástica
estrutura de argumentação e de demonstração e se alguma lacuna pudesse
persistir a aproximação do ano de 1666 trataria de a fazer desvanecer. Os cristãos
ainda com a noção de um ano 1000 ultrapassado por milagre, como diziam na
época, enfrentavam agora com os judeus o temeroso número da besta, 666. O que
surgira apenas em Portugal e parecia ter cessado com a morte do Rei de Portugal
D. Sebastião avolumava-se agora por todo o norte da Europa ensombrando já todo
este continente ao ponto de pôr os muçulmanos e os Turcos na expectativa dos
acontecimentos divinos, ou somente naturais, que poderiam dessas visões advir.
Este documento, cuja
súmula vos apresento e que terei que repartir em
várias partes dada a vastidão do material,
assenta basicamente, na obra do grande investigador Gershom Scholem Sabbataï
Tzevi – Le Messie Mystique (Collection «Les dix Paroles», Editions
Verdier, 11220 – Lagrasse) adoptando eu como apoio para a síntese a obra de
David Gonzalo Maeso (com o Nihil Obstat do Censor do Vaticano) Manual de
Historia de
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A Cabbala, do
hebraico Kybbél e que significa recebeu tal como We’Omessará significa e
transmitiu, vem da mensagem esotérica do tempo de Moisés que Deus lhe
concedeu. Desta forma, afirma a tradição, Moisés recebeu (Kybbél) de Deus
aquilo que correctamente transmitiu (Omessará) aos anciãos do povo conforme as
suas tribos e, muito em especial, à tribo Levítica que é a tribo sacerdotal.
Portanto Kybbél recebeu, We conjunção coordenada copulativa e,
Omessará transmitiu. Ora é no receber e transmitir que assenta
uma das várias fundamentais actividades do imenso material que, muito
posteriormente foi redigido e compilado e, se vem a denominar Cabbala ou
Cabbaláh sucedendo isto só no século III e.c. (era comum ou depois de Cristo
(d.C.)), ou seja, cerca de dois mil trezentos anos depois de Deus ter entregue
as leis a Moisés.
Por serem muito importantes os vários aspectos e os múltiplos documentos que compõem a Cabbala e porque tomo em consideração a variedade dos leitores que possam aceder a esta página da web é que se tornou implícito, a meu ver, que por esta matéria me delongasse o necessário a fim de esclarecer e eliminar ideias erróneas contidas em muitos livros publicados e cuja qualidade se não é um redondo zero, deixa muito a desejar e isto independentemente do preço que lhes seja aplicado. Ora, é a Cabbala que a partir do início do século XVI vai provocar uma enorme instabilidade e consequente mau estar no seio da comunidade judaica sendo de tal ordem essa situação que a depressão da comunidade ainda se fazia muito bem sentir em pleno século XIX. Por tudo isto que acabo de apresentar é notória a importância do entendimento de determinados aspectos terminológicos da Cabbala, bibliografia afim e de como ela se foi desenvolvendo, uma vez que este campo do conhecimento judaico nunca será encerrado encontrando-se, portanto, em sistemático desenvolvimento.
Como muitos outros
povos, os hebreus mantiveram, até onde puderam, os seus conhecimentos baixo
tradição oral
porque se acreditava e mesmo sabia-se, pelo menos por trágicos
acontecimentos que se deram entre outros povos, que tudo o que fosse escrito
tendia a perder-se perigando com isto a identificação e respectiva
desidentificação, a desintegração do conceito de povo e, finalmente, a
dispersão com a quase absoluta perda dos conhecimentos alcançados. Este
conceito de perda de identidade e de dispersão social é considerado universal e
tem muita razão de ser uma vez que a tradição oral assenta em tudo na
capacidade dos mestres do povo desenvolverem métodos cada vez mais acurados de
mnemotécnica evoluindo estes na proporção em que as revelações e os
conhecimentos aumentam. Desta forma, mesmo que um povo seja disperso pela
superfície da Terra por qualquer agente natural ou bélico, a capacidade de
memorização mantém não só os dados presentes como, segundo o que se acredita, impele
como que num acto telepático à reunião e reunificação dos sobreviventes; donde,
se o material do conhecimento for escrito a capacidade e a metodologia
mnemotécnica diminuem a tal ponto que torna incapaz a reunificação das
comunidades. Hoje o povo judeu tem uma amplíssima documentação escrita mas
possui, paralelamente, a memorização de muito dessa matérias tal como de muito
mais informação que tão cedo não será registada e daí porque o Talmude afirma
que há uma Thoráh escrita e uma Thoráh muito superior em transmissão oral.
A Thoráh escrita é a
parte da Bíblia que corresponde aos cinco primeiros livros da Bíblia e a que os
cristãos conhecem sob o nome grego de Pentateuco sob os nomes, também gregos,
de Génesis,
Porém e para este
meu documento, o mais importante é que é também a Thoráh escrita conjuntamente
e acima de tudo, como não poderia deixar de ser, com a Thoráh oral a pedra de
quina ou de toque, o alicerce, a viga mestra e o atravancamento da Cabbala, da
sua consistência e orientação investigativa. Também a Cabbala apesar de ser
constituída por muitos documentos, possui uma enorme transmissão oral que tão
cedo não será vertida para a escrita e que se desenvolve de dia para dia.
No século III e.c.
surge o Sêfër Yêtziráh (sêfër significa livro) ‘que marca a transição
entre o misticismo do Oriente e o do Ocidente; a partir do século seguinte as
actividades cabalísticas expandem-se pela Itália como por outros países
europeus oferecendo também na Espanha alguma manifestação, ainda que
parcamente, até ao século XII. No século XIII surge um movimento cabalístico de
grande alcance, que possui uma importantíssima representação no judaísmo
espanhol. Na segunda metade desse século aparece em Castela, sob uma forma
misteriosa, o livro mais representativo da Cabbala a par com o misticismo
medieval, o Zohar (que significa Esplendor). ‘
Quem foi o autor do
Zohar não se sabia mas posteriormente, por volta de 1970, ficou cimentada a
ideia de que esta obra se compõe de um conjunto de documentos manuscritos
hebraicos como se pode constatar na Biblioteca Nacional de Paris. Esta
compilação abarca um conjunto de livros que compreendem:
1. Comentários sobre os cinco livros da Thoráh;
2. Sectores dos Midrashym, termo hebraico que deriva
da raiz estudar, procurar e investigar. Os Midrashym
assentam em histórias elaboradas sobre incidentes descritos na Bíblia com o
fito de deduzir um princípio da lei judaica ou obter um princípio ou uma lição
moral.
3. Referências frequentes aos Salmos;
4. Citações renovadas do Cântico dos Cânticos tal
como dos profetas;
5. Capítulos esparsos dos comentários da Thoráh.
Não contendo uma
exposição sistemática das doutrinas cabalísticas, o Zohar pela sua análise
mística da Thoráh a par com os demais livros da Bíblia, acima expostos,
tornou-se a fonte principal dos tratados cabalísticos posteriores porque
representa o ponto de convergência e de arranque de todo o misticismo judaico.
Alcançou o status equivalente ao de uma Bíblia para a Cabbala, conseguindo em
autoridade igualar-se ao Talmude no terreno jurídico. Por toda a Europa
formaram-se grupos de adeptos do misticismo, à sombra do Zohar, tendo sido
fundada no século II e.c. a sede principal na cidade de Safed ao norte da
Galileia (Israel). Apesar da grande oposição e, por fim, tristeza dos zoaristas
partes do Zohar foram impressas no século XVI. Uma pequena quantidade, é certo,
mas o resultado foi de um grande dano para as comunidades judaicas vindo a
sofrer também algumas comunidades cristãs... o regozijo, o regozijo foi para os
turcos em particular e para o muçulmanismo
Com o
estabelecimento do Santo Ofício por parte da Igreja Católica –, inquisição que,
mais tarde, também os luteranos adoptaram – é a Cabbala uma das primeiras a ser
posta
Desde o início da
Inquisição que a Cabbala estava proibida e paralelizada aos livros de bruxaria
e quando D. Francisco Manuel de Melo actuou em defesa da Cabbala fê-lo usando
como móbil a prisão de um estrangeiro nas celas do santo ofício “e
achando–me por aqueles dias numa conversação de homens sábios, como a prática
de muitos seja brúxula, que jamais se afirme em parte determinada, entre outras
matérias de ciência se veio ali falar, por causa daquele sucesso, da Ciência
Cabala, cujo exercício alguns davam por origem dele, tendo estes tais para si
era a Cabala uma das artes proibidas por demoníaca;...” Desta forma D.
Francisco dá início à sua tese de defesa da Cabbala chegando ao ponto de
deturpar termos e contextos perante o tribunal do santo ofício, aproveitando-se
do desconhecimento dos seu membros dos idiomas Aramaico e Hebraico, com o fito
de ilibar a ciência da Cabbala. Deturpou e o que não deturpou omitiu os
significados dos termoso da Cabbala usando o modo de ser como o povo
português imaginava o povo judaico e se omitiu o significado do termo Brêixith
e a que chamou de Cabala Brêixith, deturpou para defesa dos judeus a Cabala
Mercana alegando ser este o verdadeiro termo pois que alguns tradutores, que
verteram os livros desta obra do Hebraico para o latim, confundiram a letra
hebraica N
n com a V w e por isso
alguns a chamavam erroneamente de Mercavá. Ora Mercavá significa Carro de Deus
conforme aparece na Bíblia no livro Profético Apocalíptico de Ezequiel no
capítulo 1 e neste capítulo o profeta Ezequiel descreve metodicamente o Veículo
Nesta altura (século XVI) era do domínio, mais ou menos, público
que a Cabbala se dividia segundo os versículos 20 e 21 do capítulo II do Livro
bíblico Provérbios (Prov. 22 : 20, 21 sistema que passarei a adoptar a partir
daqui e que colocarei em extenso nas notas de rodapé). Afirma o texto bíblico:
“Porventura não te escrevi excelentes coisas acerca de todo o conselho
e conhecimento; para te fazer saber a certeza das palavras de verdade...”
Mas do ponto de vista judaico a tríade Conselho, Conhecimento e Saber,
reduzia-se a duas unidades a saber: Brêixith e Mercavá em que a Brêixith
equivalia à física e a Mercavá à metafísica e por sua vez a Mercavá se
subdividia em Sephirot prática e Shêmót especulativa. Estas divisões tornadas
públicas estavam longe de serem verdadeiras; agora, o que mais se aproximava da
realidade era o duplo aspecto: aritmética e geometria. As verdadeiras divisões
da Cabbala assentam nas tais porções de texto da Thoráh que no início deste
documento abordei e que são as porções (parshat) que são lidas no Sábado
(Shabath) na Sinagoga permitindo a leitura e estudo total da Thoráh num ano
judaico não obstante, ainda há outras divisões adicionais.
As obras cabalísticas disponíveis no século XVI eram Ôr Yaqar
(Luz Preciosa ou Luz Querida), ‘Êlima Rabbata (O Grande Elim), Shiur Qômáh
(Lição Superior), Ôr Nê’êráv (Luz Mesclada ou Luz do Entardecer), Tamar Dêbôrá
(Palmeira de Débora), Sefer Gêrussím (Livro dos Proscritos ou Livro dos
Exilados) e exposições sobre os dez sêfiróth do Sêfêr YeTsiráh; mas no meio
destes todos quem regia era o Zohar e a quem parecer poucos os documentos
escritos desde o século III ao século XVI imagine só que vulgarmente esses
livros possuem cada um, em quase média, 12 secções em setenta capítulos de
raciocínios e revelações de todos os campos do conhecimento e do esoterismo.
Chegámos agora ao ponto crucial da Cabbala que vai contribuir,
como já acima foquei, para a grande reviravolta e a grande depressão que se
estenderá até ao século XIX e por ele continuará. Em 1534 nasce o grande
cabalista o Rabby Ishaq (Izaque) De Luria em Jerusalém; como a família era
oriunda da Europa Central chamavam-no de Ashkênázy porém os seus discípulos
sêfarditas (judeus de Israel e da bacia mediterrânica e principalmente de
Portugal) chamavam-no de ha-Ary (o Leão) como prova da grande veneração que
tinham por ele e Ashkênázy vai a par com Adônênu (Senhor nosso) o que reafirma
a honra que lhe concediam os judeus em geral pela sua doutrina e pela sua vida
de asceta. Ishaq De Luria estudou em Jerusalém dirigindo-se depois para o
Egipto e aí permanecendo na sua casa; regressou, posteriormente, para Safed
aonde, dado os seus feitos potentosos, afirmou-se ser ele o Messias da tribo de
José e suposto precursor do Messias da casa de David pela sua vida piedosa,
pelos milagres que se afirmam que ele fez, e por fim, pelas afirmações do seu
discípulo Hhaym[8] Vital o qual asseverava, entre os muitos
atributos místicos do seu mestre, que Luria veio a este mundo com a missão
exclusiva de lhe revelar os arcanos da Cabbala tornando-se Hhaym Vital o grande
apóstolo da nova doutrina.
Os contornos messiânicos da doutrina são notórios só que, nesta
altura, esses contornos já possuíam um tão forte volume de factos
ao ponto de se tornar irreversível este processo até porque e como se não
bastasse, Luria desde pequenino afirmava estar em contacto com o profeta Elias
obedecendo, por isto, a um chamamento divino. Daí o ter assumido uma vida de
eremita e antes da sua morte (1572) já circulavam biografias deste grande santo
do judaísmo.
Se Bandarra nasceu em 1500 é pouco provável ter tido qualquer
acesso às doutrinas de Luria que as transmitia oralmente sendo o seu discípulo
Hhaym Vital quem posteriormente as escreveu com toda a fidelidade. No entanto,
quando Bandarra já dominava a Bíblia de cor e salteado teve acesso a uma boa
quantidade de documentos da Cabbala e isso é notório pelo estilo da poética que
usa para transmitir as suas visões e os seus oráculos e quem quiser observá-los
notará que tanto faz lê-los de cima para baixo como ao contrário que o sentido
não só não se altera como se amplia e, por fim, com mais cuidado observar-se-à,
através de escritos dos que o rodeavam, que muitas vezes aquilo que ele queria
escrever não era o que saía mas totalmente o oposto e, desta feita, desalentava
muitas vezes os seus discípulos. Porém a humildade de Bandarra não lhe permitiu
sequer que se auto denominasse de profeta apesar de ser conhecido como tal; na
realidade afirmou o messias encoberto ou o Encoberto mas atribuir tal a D.
Sebastião não foi obra sua.
Com personalidade completamente oposta e numa época muito
posterior à de Bandarra, é Sabbataï Tzevi que, dentro dos desenvolvimentos
cabalísticos de Luria, se auto-proclama o messias da casa de David e foi desta
forma que a mecha do barril de pólvora se acendeu.

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«Eu
espero poder demonstrar neste livro que são precisamente as fontes que os
historiadores tiveram a tendência a desprezar que são susceptíveis de nos
conceder uma contribuição essencial à nossa percepção deste período.» (Gershom Scholem) |
Sabbataï Tzevi nasce
em Semirna em Agosto de 1628 o que corresponde ao ano judaico de 5386, no mesmo
dia em que o povo judeu celebra
a destruição do primeiro e do segundo Templo de
Jerusalém precisamente no dia nove do mês de Av. Tal como afirmei no texto Nebihísmo
e os Mashiáh era costume dar às crianças nascidas no sábado o nome de
Sábado sob a forma de Sebastus (Sebastião, Sebastienne) ou Sabbataï e
confirma-se que o dia da celebração da destruição dos Templos caiu nesse ano a
um sábado. Segundo uma tradição rabínica muito antiga seria no dia da
celebração da destruição do segundo templo que nasceria o messias. Isto é de
per si um factor muito importante que pode de sobremodo influenciar não
só toda a família dessa criança, como a própria e mesmo toda uma comunidade
fechada como a comunidade judaica o era forçosamente dadas as perseguições caso
ultrapassassem as duras leis das nações em que se encontravam e a que estavam
sujeitos... temos no Caso
Dreyfus um bom
exemplo político, militar e social disso na transição do século XIX para o
século XX.
Já no século XVI e
contemporâneo do Bandarra Davi Reubeni tentou a sua aventura messiânica
recheada, como no caso do Encoberto, de histórias sobre as dez tribos perdidas
provenientes de uma fonte muito anterior e que anunciava o nascimento do filho
de David; portanto e por aqui, começamos a observar que o caso de Bandarra não
foi de forma alguma isolado mesmo no contexto das crenças das tribos focadas,
mas que vem na continuidade da sublevação messiânica de Bar Kokhba contra Roma
em 132 – 135 e.c. Porém, o caso destes e de outros ditos messias foram sempre
limitados a uma região e no máximo a uma nação contrariamente ao efusivo
messianismo de Sabbataï que abrangeu uma grande parte da Europa e daí a
importância da análise deste fenoménico processo que cada vez mais, hoje, aflige
as várias religiões em geral e a Cristã em particular.
Era e é
absolutamente comum que um jovem inicie os seus estudos na Sinagoga[9] por volta dos três ou quatro anos, mas assume-se
e regista-se nos anais sinagogais o início desta actividade como sendo aos
cinco anos tendo acontecido o mesmo a Sabbataï Tzevi. Segundo os dados que se
possuem, os seis primeiros anos da educação de Sabbataï desenrolaram-se debaixo
da autoridade e da severidade dum mestre que lhe ensinou Os Elementos da
Piedade e as vias do serviço divino. Ele continuou, seguidamente, os
seus estudos sob a direcção do mais ilustre Rabby de Esmirna (Grécia) Yosséf
Eskafa, o autor da obra Rosh Yossef (O Cabeça da casa De José[10]), talmudista respeitado e de plena autoridade;
donde, podemos concluir com segurança que, Sabbataï recebeu uma perfeita
educação religiosa e talmúdica ao ponto de possuir todas as condições para
assimilar e interiorizar a totalidade das fontes da cultura rabínica, ao ponto
de ninguém poder pôr em causa a sua erudição talmúdica. Thomas Coenen, pastor
da comunidade protestante holandesa de Esmirna, afirmou (sem qualquer dúvida
sobre a fé da família de Sabbataï Tzevi) que ele recebeu o título de Hhakham[11] – epíteto honorífico com que os Sêfarditas se
reportam aos seus Rabbym[12] – ainda adolescente significando isto, talvez,
que Sabbataï foi ordenado Rabby por Yossef Eskafa ou pelos membros do seu
tribunal. Segundo o testemunho de Leyb ben Ozer, o notário da comunidade Ashkênázy
de Amesterdão, o nosso jovem Rabby foi ordenado Hhakham aos dezoito anos de
idade e é um facto que os seus adversários o podiam tratar de pretensioso ou de
louco mas de ignorante nunca. O modo como ele foi reconhecido pelos grandes
pensadores e investigadores judaicos da época não pode ser posto em causa;
definitivamente Sabbataï era uma pessoa muito especial e de uma inteligência
acutilante, controverso – ele adorava provocar discussões sobre determinados
pontos da lei e da halakhá – é certo, mas brilhante.
Existem, ainda, duas
outras fontes distintas no que respeita à evolução da adolescência de Sabbataï.
Coenen reporta que ele termina a yêshivá[13] com a idade de quinze anos depois de
brilhantemente ter terminado os seus estudos passando a viver, logo em seguida,
na abstinência e num estudo solitário. Nas cartas ao Yémen, nos primeiros
tempos do movimento sabbataísta, encontra-se explicitamente afirmado que a
partir do ano de 1642 (Sabbataï nasceu em 1626 logo teria os quinze anos
afirmados por Coenen) «ele começa a dedicar-se à disciplina asceptica,
renunciando a todos os prazeres porque eles ameaçam-no pecar e destitui-se de
tudo o que é frívolo.» Ora o facto de se afirmar que Sabbataï estudava
só não exclui, nem o pode, a necessidade de um guia muito experiente na matéria
que o acompanhe no que concerne à vida ascética e, neste caso, terá sido o
Rabby Isaac o seu primeiro mestre. Toda esta cronologia que apresento é
confirmada no final da Visão de Abraham através de uma história
extraordinária. «Quando Sabbataï tinha seis anos, uma chama apareceu-lhe
num dos seus sonhos e causou-lhe uma queimadura no pénis; e os sonhos
aterrorizavam-no mas ele não falava sobre nenhum. E os filhos da prostituição
(os demónios) o abordavam a fim de o fazerem tropeçar e o intrujavam mas ele
não os escutava. Eles eram os filhos de Na’ama, os flagelos dos humanos, que o
perseguia constantemente afim de o corromper.»
Tudo isto lhe
aconteceu quando tinha seis anos e, realmente, por aqui é difícil de divisar as
expressões das experiências emocionais e sexuais duma criança dessa idade mas,
a partir de aqui e analisando os outros relatos sobre os sofrimentos dele, um
problema mental começa a desenhar-se. Ele foi atormentado por pesadelos nos
quais o carácter sexual é evidente ao ponto de vivamente nos apercebermos que
Sabbataï possuía violentas tentações sexuais expressas através do imaginário
tradicional, aquilo que na Cabbala é exposto como as actividades demoníacas e
descrito por «filhos da prostituição» que são “os flagelos
dos humanos» sendo esta última afirmação o termo técnico empregue no
Zohar para designar os demónios nascidos da masturbação quando Na’ama – a
rainha dos demónios –, seduz os homens através de visões lascivas. Esta
terminologia é corrente em todos os escritos cabalísticos como em numerosos
textos sobre moral; ora a sua significação dentro do contexto apocalíptico é
evidente. Agora, um jovem nestas condições de desequilíbrio abraçar uma via
ascética é realmente um erro muito crasso. Por outro lado, os seus estudos não
pararam e, como é normal entre os judeus, ele só terá começado os estudos da
Cabbala entre os dezoito e os vinte anos e isto porque é afirmado na Mishna
Avot V, 24 «quando o homem atinja a metade da idade da compreensão».
Ora, a idade da compreensão é aos quarenta anos segundo a tradição e a sua
metade é vinte portanto, não era novidade nenhuma que Sabbataï tivesse começado
nessa idade mas, do ponto de vista da inculcação dos seus terrores através das
simbologias e das terminologias da Cabbala, já é significativo e mesmo
esclarecedor do porque Sabbataï já ia no seu terceiro casamento e não conseguia
ter relações sexuais com nenhuma delas.
A Interdição ou
proibição do estudo da Cabbala depois dos quarenta anos nunca foi reconhecida
pelos judeus Sêfarade e, por fim, mesmo durante o movimento sabbataísta foi
vivamente condenada se bem que nunca tenha tido uma expressão prática real pois
os vinte anos mais facilmente significariam a idade mínima do estudo da Cabbala
do que a máxima e, quanto à dos quarenta anos como sendo a máxima está
completamente fora do espírito de qualquer interpretação.
Um outro detalhe
importante foi revelado pelo holandês Coenen e pelo amigo de Sabbataï, Moïse
Pinheiro, enquanto permaneceram os dois
Não podemos pôr em
causa as afirmações de Pinheiro dada a sua reputação, ele foi sempre coerente
nas suas descrições as quais tratou sistematicamente e com a máxima fidelidade
ademais, os testemunhos de Pinheiro sobre Sabbataï são muito esclarecedoras.
Nos anos de 1644 – 48, quando Sabbataï começa os seus estudos cabalísticos, a
Cabbala lurianica era a predominante e praticamente todos os estudantes
cabalistas permaneciam demoradamente nos escritos, manuscritos ou no seu
material impresso, dos místicos de Safed. O espírito que soprava de Safed
tocava rapidamente todo o público cabalista e o desejo essencial de todos
aqueles que estudavam as doutrinas místicas era o de cada vez mais beber das
fontes de sabedoria que fluía dos escritos dos sábios de Safed. Porém, este não
era o caso de Sabbataï Tzevi. Não deslindamos nos testemunhos de Pinheiro como
é que Sabbataï, alheando-se da Cabbala lurianica e dos escritos de Cordovero,
ultrapassa todos os seus pares na compreensão de um drama tão poderoso e
complexo que fundamenta a Cabbala lurianica. Pode ser que ele tenha tomado os
estudos lurianicos e de Cordovero na segunda metade do século XVII
O Sêfer Qana (Livro
da Criação (ou) da Formação) é uma obra volumosa sobre o significado dos
mandamentos, do mesmo tipo que o comentário cabalístico dos capítulos
Mas antes de
prosseguir com a análise dos estudos de Sabbataï em particular e do desenvolvimento
da Cabbala em geral, a fim de podermos entender a razão de ser do surgimento do
movimento sabbataísta é importante analisarmos a origem e o desenvolvimento da
doença de Sabbataï e isto, permitir-nos-à saber como é que ele pode ser tão
abrangente, ao ponto de embrenhar toda uma Europa até ao clímax do grande
desastre provocado pelo fim do movimento e a expulsão de Sabbataï da comunidade
judaica por ter renegado a favor do muçulmanismo, ao qual se converteu, tendo
recebido asilo com grande pompa e plenos direitos, impossível para um judeu
nessa época, da parte da Turquia. É indiscutível a doença de Sabbataï; os seus
contemporâneos tratavam-no por louco, lunático ou de idiota e, mesmo os seus
discípulos reconheciam que a sua conduta, pelo menos depois da puberdade,
justificava plenamente esses epítetos. Devemos ser muito reservados quanto a
termos com esses e os aplicados a Sabbataï por um Rabby Yossef ha-Levi de
Livorne quando ele escreveu a um dos seus adeptos que estava no Egipto dizendo
que Sabbataï Tzevi «foi conhecido, durante a sua vida, como um idiota e
um louco...», ou de outras afirmações similares que surgem
constantemente nos documentos que Sasportas cita na sua obra Tsitsat
Nobel Tzevi. Estes epítetos não são mais do que irritabilidade natural
contra Sabbataï da parte daqueles que negavam a sua missão, mas não traduziam a
sua personalidade intrínseca. Mesmo as teorias, da época, de fontes duvidosas e
que muitos historiadores embarcaram nelas, afirmações como histeria patológica,
paranóia, etc. não têm qualquer validade porque em nada podem assentar que faça
prova; pelo contrário, basearam-se em obras secundárias e duvidosas as quais,
numa análise simples, se acabam por contradizer.
Na medida em que os
dados foram totalmente modificados com a descoberta de material original a
saber, os registos dos membros do círculo imediato de Sabbataï, essas fontes,
sim, convidam-nos a pensar com uma certeza quase absoluta que Sabbataï sofria
de uma psicose maníaco-depressiva à qual se juntavam, provavelmente, certos
elementos de paranóia. Trata-se duma perturbação, que se pode considerar
doença, mental no termo e conhecimento psiquiátrico actual. Esta perturbação
caracteriza-se por um tipo de comportamento mais ou menos variável em que o
doente exibe, segundo Kraepelin, acessos mórbidos, quer do tipo de excitação
maníaca, quer do tipo de depressão melancólica, acessos estes que sobrevêm de
forma periódica, com a tendência à repetição. Este fenómeno desenvolve-se na
puberdade e as suas expressões patológicas aparecem geralmente entre os quinze
e os vinte e cinco anos, jamais durante a infância. Como já disse, são diversos
os estados patológicos que se alternam, por vezes os ritmos são regulares e
outras vezes (como no caso de Sabbataï) possuem intervalos imprevisíveis. A
violência e os intervalos dos altos e baixos são
reveladores da gravidade da doença. Os altos exibem fases de
extrema elevação mental, de um entusiasmo maravilhoso, pleno de sentimentos de
bondade tão sublime que alcança o êxtase e da certeza de uma inspiração que vem
do céu. Uma pessoa nesta situação vê um mundo novo e glorioso e vê-se a ele
próprio como nascido de novo. Os pensamentos mais incríveis, no sentido do belo
e os mais originais invadem-no podendo mesmo ter visões. Nos períodos baixos
surge o abatimento, a angústia a melancolia, sentimentos de perseguição e aqui
atingindo a paranóia. Pior, tornam-se factores de destruição; toda a
personalidade do doente fica intacta e, em particular, os seus poderes
intelectuais, os quais permanecem mas a desintegração da personalidade, por
fim, acaba por se dar e todo o psiquismo é varrido por essa destruição.
Os sintomas
começaram a surgir em Sabbataï teria ele vinte anos e dois anos mais tarde
estavam plenamente manifestos. São numerosos os excertos circunstanciais que
testemunham o ritmo cíclico da vida psíquica de Sabbataï até aos seus últimos
dias de vida e a exposição clínica do seu estado está totalmente confirmado
pelos registos dos seus contemporâneos. Coenen registou que, segundo os concidadãos
de Sabbataï Tzevi em Esmirna, determinados estados maníacos começaram a
manifestar-se no período precedente ao seu primeiro casamento. «Ele citava
Isaías: 14, 14[16]: ‘Eu subirei acima das mais altas nuvens e serei
semelhante ao Altíssimo...’ quando é alcançado por uma fé de pronunciar o
versículo e num êxtase tal que ele se imagina a flutuar nos ares. Um dia
aproxima-se dos seus amigos e pergunta se eles o viram levitar ao que eles lhe
responderam pela negativa, replicando: ‘Vós não sois merecedores de assistir a
esta visão de glória porque vocês não estavam purificados como eu.’ O
sentimento de levitação é um carácter conhecido dos estados extáticos.
Finalmente e no desenrolar das suas visões Sabbataï recebe a revelação que lhe
afirma que ele é o messias da casa de David. Pouco tempo depois Sabbataï revela
a visão do seu messianismo aos seus companheiros de estudo e de ascese e
acrescentou que de ele grandes e fantásticas coisas se iriam revelar. A partir
de aqui os seus concidadãos em Esmirna, tendo conhecimento da sua pretensão
messiânica, notaram o aumento dos seus momentos de exaltação mas conhecendo bem
a sua personalidade sabiam que um maníaco é bem susceptível de conseguir
alcançar actos extraordinários. Ele pode revelar-se um génio, que o era, e avançar
em estados sucessivos de inspiração com as ideias mais extraordinárias, mas
também sabiam que ele podia agir de modo estranho e conduzir-se realmente como
um idiota e expressar as suas manias de natureza paranóica dependendo tudo do
objecto específico da sua mania, do seu talento, e das suas capacidades. Mas o
diagnóstico de psicose maníaco-depressiva de per si não nos
ensina nada sobre o conteúdo ou os valores dos seus pensamentos e das suas
acções.
Por outro lado, o
entusiasmo maníaco que arrebatava o jovem Sabbataï aos cumes vertiginosos e
eufóricos de exaltação e a visão do seu próprio messianismo era objecto de um
outro fenómeno aparentemente contraditório. Este jovem rabby que consagrou
conscientemente a sua vida à piedade ascética e que se mortificava seis dias
por semana podia, não só, transgredir a lei como agir de um modo completamente
estranho (o termo hebraico dá a entender indecoroso ou impuro). As suas
rupturas aos momentos de exaltação constituem aquilo que os sabbataístas
apelidaram mais tarde «actos estranhos (paradoxais)». O termo
hebraico, ma’assim zarim, tão significativo quão ambíguo
reveste-se de um duplo sentido na tradição sabbataísta. Designa as acções que
em si mesmas não são objecto de uma interdição bíblica nem duma tradição rabínica
mas que parecem bizarras, estranhas, desconcertantes, ao limite do absurdo e da
fantochada; mas este termo designa igualmente as verdadeiras transgressões em
relação à lei religiosa judaica, seja qual for o seu grau de gravidade.
Porém, temos aqui um
grande problema do ponto de vista de Religiões. Se lermos a Bíblia
cuidadosamente, por exemplo, no Livro de Elias observamos que os videntes
quando entravam nos seus estados de êxtase desnudavam-se completamente e
entravam num estertor bastante obsceno para os olhos do comum dos mortais; por
outro lado na descrição de Eliseu discípulo de Elias a situação repete-se mas
atingindo o grau do inadmissível: Quando o Profeta Elias (profeta ou vidente é
a mesma coisa em hebraico) sentiu que era altura de morrer decidiu ausentar-se
do meio dos videntes e caminhar sozinho ao seu destino. Porém, Eliseu
apercebeu-se e decidiu acompanhá-lo. Elias aceitou e depois de caminharem
bastante Elias voltou-se para Eliseu e disse-lhe «fica agora aqui que eu
prossigo sozinho». Mas Eliseu retorquiu «não meu mestre, deixa o
teu servo acompanhar-te mais uns passos.» A história repetiu-se mais
uma vez e Eliseu lá foi seguindo com Elias até que Elias chegou ao final da sua
caminhada. Elias que sabia de cor e salteado o interesseirismo de Eliseu
voltou-se para ele uma última vez e disse «a partir de aqui não me podes
acompanhar portanto diz-me o que pretendes de mim...» «não meu
senhor, eu não pretendo nada, apenas te quis acompanhar...» mas o olhar
perfurante do mestre fixou-se nele de tal modo que ele teve que afirmar a sua
ambição «Senhor, se depois da tua morte me pudesses conceder dez por
cento dos teus poderes...» (note-se que dez quer dizer a totalidade e o
dízimo é a totalidade do que tem que ser dado). Elias respondeu-lhe «não
é a mim que me cabe decidir isso mas apenas Deus. Mas concedo-te um sinal: Se
me vires ser levado para os céus é porque o desejo te foi concedido.
Elias despede-se de Eliseu e avançou uns largos passo quando de repente uma
tróica de fogo o arrebatou e Elias ao ver gritou «meu Senhor! Cavalos e
cavaleiro!» E instantaneamente Eliseu sentiu os poderes
Esta história parece
incrível e, lamentavelmente, especula-se na busca de simbologias e de outros
materiais esotéricos que aqui não têm qualquer cabimento, mesmo porque tudo
isto é comum ao ponto do universal. É conhecida a história dos Suffy estáticos
que quando entram em êxtase imediatamente se despem, exteriorizam actos
obscenos, bamboleiam indecorosamente o corpo... enfim, tudo o que há de anormal
e de indecente eles exteriorizam. As Mães e os Pais de Santo do Candomblé que
só a forma de falar em cada três palavras saltam cinco em calão para além de
também terem a mesma atitude indecorosa e obscena. Enfim, desde a alta
antiguidade em todo o mundo saltam relatos destes comportamentos que, como
disse são, não só, universais como intemporais. É bom tomarmos nota disto antes
de fazer um valor abstruso sob Sabbataï Tzevi porque tudo o que acima foi
relatado como sendo uma psicose maníaco-depressiva é comum a todos os videntes
ainda hoje existentes, como aos médiuns espíritas e observa-se nos mosteiros
entre os monges. Quando eu aos vinte e um anos fui a um Ashram no Nepal e fui
aceite para permanecer e estudar amedrontei-me com o número de monges
maníaco-depressivos, que exibiam complexos de perseguição ou esquizofrenia mas
depois de contactar com eles vi espelhado nos seus rostos a maior doçura, a
maior compreensão e os maiores cuidados. Desapareciam por vezes vários dias e
aí levantei a dúvida que ainda hoje mantenho: será que eles se ausentam para se
tratarem do esforço psíquico que têm e que os conduzirá a esses estados de
aparente doença psíquica? O mesmo observei no Monte Athos e nos mosteiros
Capuchinhos, Jesuítas... eu sei lá, por todo o lado por onde andei.
Esta primeira parte
é um aviso também para todos aqueles que se entregam a vias esotéricas por
correspondência, isto é, sem alguém abalizado porque são muitos os que recheiam
os manicómios de todo o mundo. Mas isto não acontece só na vida esotérica como
também na vida exotérica, na vida pública e daí os excessos de stress deste
planeta.
Termino por aqui
esta primeira parte prometendo em breve expor a segunda mas não me perguntem
quantas partes é que este material terá porque as vertentes são enormes e muito
recheadas de material valiosíssimo. Porém e para constatarem o comportamento
dos videntes tradicionais das Beiras vejam o meu romance Pecora Nera em FozIber fruto de cinco anos de vivência com eles
comportando-me como se tal o fosse. Não aconselho a que repitam o que eu fiz,
pelo menos se não estiverem orientados e bem preparados porque no meio destes
uma falha significa aparecermos numa berma qualquer, ou no meio da mata
abatidos por uma bala que não fala.
Índice das
ilustrações:
Fig. 1 – D.
Sebastião (Sebastus), El-Rei de Portugal
Fig. 2 –
Sabbataï Tzevi
Fig. 3 –
Thiqun
Fig. 4 –
Sabbataï Tzevi um pouco antes da sua apostasia e conversão ao muçulmanismo
Fundo: Arnold Böcklin, Guerra 1896

[1] A pronúncia
de ch = kh = rr em português.
[2] Bíblia
Hebraica. Esta Bíblia, normalmente denominada pelos cristãos de Antigo
Testamento, é a Bíblia Sagrada para os judeus, os quais não reconhecem Jesus
Cristo como messias e, portanto, tampouco os escritos sobre ele e a sua
doutrina, isto é, o denominado de Novo Testamento. O nome TaNaKh é uma sigla
composta apenas pelas consoantes T (de Thoráh), o Pentateuco, N (de Naviym), os
livros dos Profetas e o K (h) (de Ketôviym), os Escritos ou documentos
histórico-literários da Bíblia.
[3] Grande
documento da Tradição Hebraica-judaica.
[4] Grande
documento da Cabbala.
[5] Pirkê
significa, em português, comentário.
[6] Sêfer
significa livro e Bahir claridade, que podemos traduzir sem erro, O Livro do
Esclarecimento.
[7] Tratado da
Ciência da Cabala – D. Francisco Manuel de Melo – Editorial Estampa,
Lisboa.
[8] Hh
pronuncia-se rr em português.
[9] Sinagoga é o
termo grego do local de reunião dos judeus na diáspora e que prossegue hoje em
Israel uma vez que o judaísmo, desde a destruição do segundo Templo, não tem
autorização revelativa para a construção de um novo Templo. Não obstante, o
termo hebraico, é comummente Mykêitz e mais raro Knêsséth. Muito mais raro hoje
porque o Knêsséth é o nome hebraico para a Assembleia da República de Israel.
[10] José filho de
Jacob o pai das doze tribos de Israel. José foi o único que não formou tribo
concedendo aos seus dois filhos que a formassem e daí terem surgido as duas
meias tribos.
[11] Hhakham
significa sábio.
[12] Rabby... o
facto de um jovem ser ordenado Rabby apenas lhe diz que pode seguir esse
caminho, se assim o desejar. Mas não pode actuar como tal antes de completar
mais uns anos de estudos e práticas. Ym é em hebraico a forma do plural
masculino.
[13] Yêshivá é o
lugar retirado ou de retiro, normalmente na Sinagoga, para o estudo do Talmude.
[14] Midrash Rabba
sobre Números 14: 2.
[15] Os santos
(anciãos) na Grande Assembleia.
[16] Bíblia: Livro
de Isaías, capítulo 14 e versículo 14.